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A tua mão mudou tudo

por Lindolfo Alexandre, em 19.01.18

Talvez não fosses o amor da minha vida, talvez fosses só uma passagem para me ensinar, para me marcar, para me acordar.

Tentaste-me ajudar, eu, "egoísta" nunca aceitei. 

Eram os meus traumas, não estavas incluída(o) neles. Os dias eram dolorosos, passava isso para ti sem o conseguir evitar.

Até que...

Até que não conseguiste aguentar mais e partiste, fiquei a ver-te partir.

Onde falhei mais uma vez?

Nos meus refúgios, no meu silêncio, na minha dor. Tinha pena de mim, tinha pena do que sofrera em passados, castigava-me. A mão que me quiseste dar e não aceitei, imaginei-a.

Por mim, por ti procurei ajuda.

Os dias tornaram-se lentos, confusos.

Tive a noção da realidade que nunca antes tivera. Fui enfrentando sem medo um a um, procurando respostas. Enfrentar a realidade, o que era, de onde vim.

Sozinho(a) caí. Sozinho(a) consegui-me erguer.

Por vezes não há respostas para as perguntas, por vezes temos que aceitar os passados e deixa-los sossegados.

Se tu não partisses eu nunca saberia, nunca os enfrentaria, nunca me recuperava, nunca me encontraria.

Na nossa passagem só fica uma coisa por dizer:

Obrigado pela mão que nunca aceitei, mas imaginei-a.

 

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Foto de: Joanna Malinowska

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Supostamente és tudo

por Lindolfo Alexandre, em 17.01.18

Não era suposto pensar em ti todas as noites, acordar com a ânsia de te falar, de saber como estás.

Não era suposto gostar de estar contigo, eu que tanto lutei para não deixar ninguém entrar na minha vida.

Não era suposto criar afinidade, cumplicidade, trocar carinhos.

Não, definitivamente que não era suposto encostar os meus lábios nos teus numa noite fria.

Não era suposto ter saudades tuas, contar o tempo para estar contigo novamente.

Não era suposto sentir-me triste por te ver partir.

Não era suposto entrares sem autorização, não era suposto chegares e absorveres os passados.

Não era suposto gostar de ti.

Mas gosto.

Supomos tudo e não sabemos nada.

 

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Foto de: Joanna Malinowska

 

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Separados pelo tempo

por Lindolfo Alexandre, em 14.01.18

Volto-me na cama vezes sem conta, aquele maldito relógio não para de contar o tempo.

Na minha mente surgiu que és passado, começas a ser um passado distante

Assusta-me.

A cada segundo que passa somos separados pelo tempo, mas, o nosso coração jamais irá ser separado.

Temos uma história, uma passagem, uma vivência.

Volto-me novamente, continuas a persistir na minha mente, será assim tão difícil encontrar o sossego?

É inevitável, a lágrima caiu.

Momentos de felicidade que irão ser apagados por esta distância, gargalhadas que serão esquecidas, toques que nunca mais existirão.

Sonhos que ficaram perdidos, levaste-os a todos contigo.

O relógio continua a digitar mais números, parece tudo tão lento e tão rápido.

Sufoco.

Fico desesperado nesta luta com a minha mente, não és a culpada(o).

Mas prometo-me, amanhã será o dia em que este maldito relógio vai começar a contar o tempo da minha felicidade e não da tua ausência.

Amanhã tudo irá acabar.

Agora sai da minha consciência para poder descansar.

Desliguei o relógio.

A saudade que tenho por ti assola-me.

Boa noite para ti, mesmo separado(a) por este tempo.

 

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Caminhos cruzados

por Lindolfo Alexandre, em 12.01.18

"Onde estás?"

"Numa das portas."

 Longe de mim pensar que naquela encantadora estação de comboios estavas tu isolada com um brilho que te irradiava.

 Fervilhava por dentro mas tentava contornar toda a ansiedade que me assolava.

Em jeito desconcertante e atrapalhado dei-te dois beijos.

"Olá, como estás?"

Tentei mostrar um pouco da minha indiferença mesmo não fazendo parte mim. A conversa fluiu, o nervosismo era demasiado evidente de ambas as partes com conversas filtradas e selecionadas. Os tiques nervosos persistiam. Tornava-se horrível.

 O teu olhar era fantástico, muito segura de ti. Conversa madura e um saber estar a acompanhar.

Não fazia sentido, não era normal.

 Talvez a expectativa elevada fosse diminuída para não sofrer deceções. Mas não, tu não falhaste, tu não quiseste falhar.

O tempo passou, a cumplicidade começou a destacar-se com pezinhos de lã, sem pressas nem rodeios. O teu perfume espalhou-se pelas ruelas daquela cidade encantadora não conseguias passar despercebida.

Partilhámos histórias, intimidades, sorrisos e contivemos lágrimas. E tu, tu eras simplesmente perfeita, eu, fiquei chocado com tamanha perfeição.

A noite caiu, a luzes da cidade iluminavam as nossas caras num cenário romântico. Tu sorrias! Como ficavas linda com as luzes que iluminavam o teu rosto.

O toque foi inevitável, tínhamos que sentir a realidade, sim, passamos a ser reais.

 Chegou a hora, a despedida. A incerteza ficou a pairar.

Será que nos voltaríamos a ver?

Sim.

Os nossos caminhos cruzaram-se só porque sim.

 

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Amor culpado

por Lindolfo Alexandre, em 07.01.18

Sim, sou culpado(a).

Culpo-me por te ter amado tanto até me esquecer de mim.

Culpo-me por ter desistido do meu mundo para viver o teu, o nosso.

Culpo-me pelas noites que te vi dormir, onde desejava que nunca fosses embora.

Culpo-me por ter criado expectativas, ilusões onde acreditava que era contigo que ia ficar.

Culpo-me por voar muito alto, por sonhar contigo quase todas as noites.

Culpo-me por todos os abraços sentidos que desejei que nunca me largassem.

Culpo-me pela ansiedade que tinha para estar contigo, para sentir o teu corpo, o teu carinho.

Culpo-me por te ver e ficar a tremer ansioso(a) por te beijar.

Culpo-me por te procurar quando me querias longe de ti.

Culpo-me por não ter feito mais, por não saber ficar com o pés no chão.

Culpo-me por ter acreditado quando devia era de ter desistido.

Culpo-me pela saudade, pela ausência, pelas lágrimas.

Culpo-me porque era ao teu lado que queria envelhecer.

Culpo-me por me teres culpado.

A culpa é do amor, não minha.

Odeio o amor, faz-me sentir culpado(a).

 

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Foto: Origem Internet

 

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Quando será a tua vez de brilhar?

por Lindolfo Alexandre, em 01.01.18

Aí estás tu, novamente sem chão.

Lutaste até não ter mais forças para não caíres no mesmo sentimento, a perda.

A angustia é disfarçada pelo teu sorriso lindíssimo mas o teu olhar desmente tudo.

Quando será a tua vez de brilhar? É isso que te atormenta frequentemente.

A desilusão foi tão grande que te esqueceste de ti, perdeste o amor próprio. Chegou a hora de assumires os teus fracassos, perdoar-te e saber perdoar.

Está um dia lindo lá fora, o sol voltou a brilhar para todos, ficas só na sombra se quiseres, és tu quem decide.

Luta por ti, porque mais ninguém o poderá fazer.

Reconquista-te.

Volta a abrir esse caderno e reescreve a história que deixaste inacabada. Tens tanto amor nesse coração destroçado mas não te esqueças que mereces mais, mereceste-te a ti.

Dá-me a tua mão e vamos sorrir.

Que seja o ano da mudança.

Feliz 2018.

 

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Dia Zero

por Lindolfo Alexandre, em 27.12.17

Poderia ser mais uma manhã como todas as outras, uma manhã onde o desgaste de uma luta interior era evidente, onde o primeiro pensamento que tinha era se seria o dia anterior o fim da tortura, se terminara a solidão que lhe escurecia a alma.

Mas não, não era uma manhã como todas as outras.

Subitamente acordou de olhos arregalados, esboçou o seu sorriso há muito escondido e disse que já chegava. Passou muito tempo a viver com alguém dentro dele, a dificultar-lhe as tarefas básicas, a tapar-lhe os olhos, a carregar com um passado em dois sacos pretos bastante pesados.

Deixou-o a vaguear por caminhos áridos, ficou sem orientação mas subitamente viu uma flor a seus pés.

Iludiu-se por um amor que não existia, criou uma falsa ilusão.

Não a irá deixar de amar, talvez a vá amar a vida toda, não podia era permitir que o impedisse de seguir o seu caminho em busca dos seus sonhos.

Nessa manhã reparou que não era o borrão numa tela que ela tinha pintado e lhe entregou em mãos antes de partir. Chegou o dia onde foi comprar as suas cores favoritas e o redesenhou, redesenhou-se.

A história nunca se irá apagar, mas poderá ser modificada com as futuras vivências e com o tempo poderá ter um final feliz.

Ao pôr-do-sol lá estava ele a sorrir, era só dele agora e não tinha mais medo.

Naquela manhã foi o dia zero para reconquistar a sua felicidade.

 

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A nossa utopia

por Lindolfo Alexandre, em 19.12.17

Recebo o teu telefonema, faltam minutos para te voltar a ver novamente.Um nervoso miudinho toma conta de mim. Revejo-me ao espelho, o sorriso está estampado como sempre quando penso em ti.

Subitamente o teu carro encosta ao meu, estás da mesma forma do que eu, já não me sinto sozinho, afinal somos dois parvos apaixonados.

A brisa sopra no teu cabelo fino, tentas compor de uma forma elegante e tão tua.

«Estás perfeita.»

Os nossos olhos fixam-se de uma forma intensa, o sorriso intensifica-se. Estou estático a aguardar que chegues até mim, espero impacientemente que não demores porque tenho a pernas trémulas.

«Quem és tu? O que me fizeste? É tão bom mas sinto-me tão patético.»

Os teus lábios com batom vermelho estão a 10 centímetros, estou quase a implorar que toquem nos meus. “Desculpa a demora.”

Beijámos-nos intensamente, a minha mão percorre a tua cara. De olhos fechados sinto cada contorno do teu rosto, parece que foram desenhados pormenorizadamente.

«És tão deslumbrante.»

Acabamos enlaçados um no outro a ouvir o mar, a sentirmos os corações a bater de uma forma mais forte. É uma sensação tão reconfortante, tão intensa que não me apetece largar-te nunca.

O sol está a fugir no horizonte, admiramos o céu alaranjado, o cenário é lindíssimo o nosso amor é o protagonista. Sussurro-te no ouvido:

“Diz que me amas e prometo que te faço muito feliz.”

Voltas o pescoço para olhar para mim e sem hesitares proclamas sem medos.

“Amo-te, amo-te muito.”

Ouvi poesia.

Agarro a tua face com as minhas mãos e agradeço-te com um beijo suave na testa.

É a nossa utopia. 

 

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A dois passos do amor

por Lindolfo Alexandre, em 11.12.17

Estávamos separados por um metro, pareciam quilómetros.

 Os teus cabelos reluziam ao sol, sentia o teu perfume. Os teus olhos brilhantes e tristes percorriam o meu corpo de cima a baixo.  

Não falavas, não me reconhecias, tinha deixado de ser encantador.

Já iam largos os dias que não me vias um sorriso, uma brincadeira, um carinho.

Precisava desesperadamente que me quebrasses o silêncio, mas não o dizia, sentia-me preso em mim. As minhas pupilas estavam dilatadas a olhar para ti.

 Continuavas linda mesmo com essa mágoa que te assombrava.

 As memórias preenchiam os nossos olhares vazios, deu-me arrepios. Não sei como chegamos até aquele ponto, não sei porque não consegui parar de me castigar, porque é que não me alertaste?

Estava a perder-te, tinha consciência disso e não consegui fazer nada para o contrariar. Eras tudo o que tinha, eras tu que me fazia feliz.

Não paravas de me observar, o teu olhar espezinhava-me o coração, o sentimento de culpa era enorme, sentia-me impotente.

Sorri para ti e tu muito ceticamente retribuis.

Respirei bem fundo e ganhei coragem para diminuir a distância que nos separava.

Eram só dois passos, segundos que pareceram horas para chegar perto de ti.

Umas palavras em tom trémulo e quase inaudível saíram finalmente da tua boca.

"Tenho medo de te perder!"

Sorri a medo, comecei a tremer, não contava com o encanto das tuas palavras.

Demorei uns segundos as responder, tentando evitar que as lágrimas saíssem dos meus olhos vidrados.

Consegui responder.

“Dás-me um abraço? “

Abraçaste-me apressadamente como se estivesses uma vida à espera por aquele momento, coincidentemente e em simultâneo utilizamos as mesmas palavras.

«Amo-te muito»

Estavámos perdidos em ressentimentos.

Perdoa-me por ainda te amar.

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Agasalha-te em mim

por Lindolfo Alexandre, em 04.12.17

Está uma noite gélida, tento-me aquecer de todas as maneiras possíveis neste vazio dentro de quatro paredes. Fazes-me falta.

Esse amor que só tu sabias dar que foram substituídos por silêncios.

Tento contornar, tento não pensar em ti, num futuro que talvez nunca irá existir. Chamo-lhe: "a minha doce ilusão". Talvez seja isso que me faça lutar e querer mais.

Os dias de escuridão estão a ir embora, a auto-estima aparece para dar o ar de sua graça.

Voltei a sorrir.

Desejei que estivesses a meu lado neste processo tão lento mas tão gratificante.

Foi muito duro, talvez nunca vás imaginar o quanto doloroso foi. Nunca por tua culpa, os sonhos voaram muito alto e um dia caíram.

Junto com eles fui eu.

Caíram num oceano, mergulhei bem fundo, fiquei imerso numa escuridão. Lutei com todas as minhas forças para voltar a respirar. Quase esgotado, nunca desisti, não quis desistir de mim e consegui.

Finalmente respiro, finalmente.

Sinto orgulho em mim, sei que não o tens. O teu amor foi substituído por um ódio incompreensível.

Talvez tenhas razão, ou não.

Perdoa-te, porque já me perdoei no dia em que assumi que errei.

Vou tentar aquecer-me lembrando o calor do teu aconchego, agasalha-te.

 

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Foto: Origem Internet

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