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O adeus do outro lado da janela

por Lindolfo Alexandre, em 11.09.17

Já não te vejo faz meses, a saudade dentro do meu peito é tão apertada que esmaga o meu coração contra as minhas costelas, é quase difícil respirar. Já não sei o que é falar contigo, o teu “bom dia” que me dava aquela energia logo pela manhã e me fazia sorrir o dia todo como se fosse uma poção mágica, deixou de existir.
A minha persiana continua para baixo só entra o mínimo de claridade por entre os furinhos. Continuo na minha posição estática, com o olhar fixado no meu teto branco onde vão passando as imagens da nossa história e o telemóvel no meu peito como se tivesse a aguardar uma notícia tua.
Optamos por um caminho diferente e agora aguardamos o destino.
Cada vez que me confronto com a realidade, inconscientemente uma lágrima teima em cair e contornar o meu rosto magro e delicado, borrando o meu rímel.
É difícil a luta entre o amor que sinto e a minha racionalidade.
O tempo teima em passar lentamente. É controverso, as nossas conversas de horas passavam em minutos, os dias agora parecem não terminar e juntos só piscávamos os olhos e era de noite. As noites, as noites são um inferno onde o ciúme é projetado na escuridão da minha alma.

Não havia mais nada a fazer por nós, estávamos condenados desde o início.

Mas perdoa-me, não posso viver mais a tua ilusão por mais doce que seja, gostava de a viver eternamente porque da maneira que a imagino é tão perfeita e doce, mas não é física. Não sinto o teu toque, não sinto o teu coração a encostar no meu na intensidade do abraço.

Nunca vou conseguir mudar o nosso passado, mas sei que posso e quero ter sentimentos reais.

Não irei procurar mais respostas, sei que me está a esgotar, estou a entrar numa espiral de sentimentos onde me estou a emaranhar.

Já chega, não é isto que eu quero.
Abri a minha persiana, reparei que está um dia lindíssimo lá fora, o meu corpo sorriu só de poder respirar o cheirinho das flores.

Levaste-me a inocência, mas não te deixei que me levasses a esperança.

 

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Foto de: Sara S.

Modelo: M. Gusman

http://fotografiasaras.blogspot.pt/ 

 

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6 comentários

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De Anónimo a 11.09.2017 às 22:15

Obrigada por mais uma partilha...
Me identifiquei em pequenos trechos do texto...
Cada vez mais envolvente e com sentimentos genuínos continua,adorei.
Beijinhos no teu 💟❤💙
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De Lindolfo Alexandre a 12.09.2017 às 12:30

Muito obrigado.
Beijinho.
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De Carlos a 12.09.2017 às 23:25

Tantas histórias iguais, vividas por pessoas diferentes!
Um dia, não muito longe, vivi essa sensação de tudo perder..
Felizmente o tempo passou e um ano depois acordei do pesadelo e definitivamente já nem à lembrança me vem o sonho que vivi!
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De Lindolfo Alexandre a 13.09.2017 às 01:44

O fundamental é que acordou! Quanto à história... Todos diferentes, todos iguais.
Que não lhe levasse a esperança, ninguém consegue mudar passados.
Continue sempre assim.
Cumprimentos.
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De P. P. a 13.09.2017 às 21:43

Que assim seja. Haja esperança!
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De Lindolfo Alexandre a 14.09.2017 às 22:31

A morrer que seja a lutar.
Abraço.

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