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Uma nova canção

por Lindolfo Alexandre, em 14.10.17

Sonhámos muito, traçamos objetivos demasiado elevados para a atualidade em que vivemos. Quando nos apercebemos que não os vamos conseguir cumprir caímos numa dura realidade com a sensação de fracasso, ficamos com o ego ferido.

Somos obsessivos com a construção de uma família, com a carreira profissional, uma vida folgada e estável, queremos seguir o que nos foi transmitido ao longo do nosso crescimento. Sonhamos ser como os nossos heróis em criança, criamos o nosso modelo de família e tentamos seguir um caminho semelhante para obter a perfeição que existia aos nossos olhos.

Quando chega o momento perdemos a noção da realidade, sentimos que não sabemos amar, não somos pacientes, não conseguimos tratar de problemas sozinhos, não somos dignos e que talvez fossemos demasiado protegidos por não sabermos aceitar a vida tal como ela é.

Não nos conseguimos entregar na totalidade, passamos mais tempo a ver os defeitos de quem está ao nosso lado do que a viver o amor sem medos. Colocámos aprova de uma forma sistemática com receio que seja a pessoa errada para nos acompanhar para o resto da vida.

Quebramos diálogos, não tolerámos atitudes, maneiras de ser e colocámos tudo em causa de um momento para o outro, pensamos de uma forma automática e fácil: Abandonar.

Existe mais para além de defeitos, exigimos em demasia e acabamos por perder alguém que amávamos mas que na realidade não soubemos assumir.

Não soubemos viver os momentos, não soubemos ser amados e amar, só na perda é que conseguimos fazer a introspeção.

O sentimento de fracasso é tremendo, o vazio é medonho, sentimentos de culpa e a solidão passam a ocupar os nossos dias.

Se tivermos que chorar, vamos chorar.
Nem tudo foi em vão para o novo recomeço.

Vamos sair da enorme bolha do orgulho e se fôr para voltar atrás e assumir que estávamos errados, vamos voltar..

Nunca é tarde!

Aceitemos os fins e vamos amadurecer com uma história que podia ter um final feliz para quando aceitarmos ser amados novamente entrarmos sem medos, sem planos e acreditar que vamos ser felizes.

Até lá, vamo-nos redesenhando.

Nada acontece por acaso e um mau fim poderá ditar um bom recomeço.

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Foto de: Sara S.

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1 comentário

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De PP a 14.10.2017 às 15:16

Um belo P&B, como sempre.
Um erro a dois não é como um singular. Toca a redefinir estratégias, sabendo que a vida não é justa e que todos erramos.

Abraço.

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