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Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Amei, mas isso já é passado

E mais um dia se foi. Mais uma corrida contra o tempo e obrigações.

Abro a porta de casa, alargo o passo até ao sofá e perco-me em mim. Perco-me no meu cansaço, na luta de devolver tudo ao estado normal, nas tarefas diárias por fazer.

Estou deitado na minha almofada, envolto na manta, numa espécie de carinho. Acaba a adrenalina e reencontro a realidade. Olho para a TV e não consigo ver nada, nem ouvir nada. A minha alma vagueia por contos e dramas. A casa ficou tão crua como a minha alma.

Ainda consigo ouvir a porta do elevador a fechar e a tua chave a tilintar... Perco-me a ver as tuas fotos, onde sorris com alegria. Talvez seja eu parvo o suficiente para não me conseguir desligar de ti de um momento para o outro.

Largos vão os dias em que as tuas gavetas ficaram vazias. Não as consegui preencher com nada. Ganho coragem para me levantar e vou tomar um banho. Coloco aquela música que me faz recordar a tua passagem na minha vida e castigo-me até a água ficar fria. Seco-me e vejo no espelho o quanto emagreci, mas não tenho coragem de ir à balança.

Visto o pijama e o roupão. Pouco passa das dezanove horas. Abro o frigorifico e não sei o que fazer para jantar. Acabo a comer 3 bolachas com um copo de leite.

Está tudo disfuncional. Não foi assim que previ que viesse a acontecer.

O telefone toca ao som das mensagens virtuais. Espreito e não consigo ter energia para falar.

“Sim, eu estou bem.”

O silêncio ainda não o consegui ter. O trânsito lá fora ainda não fluiu.

Passa pouco das vinte e já estou na cama. Deito-me no meu lado, porque o outro ainda sinto que te pertence.

Não consegui fazer nada do que programei. Em vez disso, vim chorar.

Consigo desligar-me da minha família, dos meus amigos, dos meus gostos. Não me consigo desligar de ti. Persegues-me sempre que há silêncio na minha mente. Canso-me com os porquês, com as ingratidões, com as saudades. Canso-me com o ódio que sinto por ti. Mas tu decidiste seguir. Eu não.

Valorizo-te. Deveria de estar a fazer o mesmo.

Aos poucos, vou-me desligando de ti. Tudo tem o seu tempo. Não sei quanto vai demorar o meu. Aceito-o. Fazemos o nosso desapego na medida em que amamos. Tenho consciência de que te amei muito. Amei, mas isso já é passado.

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Foto de: Pexels.com

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