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Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Ao virar da página

No silêncio da noite recordo todas as vezes que me olhavas com aquele olhar brilhante onde refletia a tua alma, nesse olhar dava para ver o quanto me amavas e o quanto odiavas.

Não que a culpa fosse inteiramente minha, infelicidades que a vida me brindou em tempos passados.

Recordo com saudade as noites em que passei ver-te dormir, parecias um anjo, o corpo delicado em posições contorcidas.

Os meus dedos percorriam o teu cabelo, os meus lábios beijavam a tua face, acordavas e proclamavas as palavras:

“Gosto tanto de ti!”

O meu corpo tremia, a cada abraço durante a madrugada sentia-me único e não merecedor, sempre tive uma postura de derrotado, pensei que as histórias românticas só aconteciam aos outros.

Ficava enamorado, envaidecido que se convertia em tristeza, tristeza essa porque não merecias estar a passar tudo aquilo.

Era uma luta que estava a travar e tu estavas no meio a tentar defender-me. Não te dava ouvidos, entrei num mundo onde me castigava dia pós dia, entrando numa espiral de sentimentos confusos e diabólicos.

Foste até ao teu limite e eu com coração apertado fiquei a ver-te partir, senti-me impotente mas não podias estar mais a ser castigada por minha causa. Por mais infeliz e vazio que esteja, sei que fui feliz. Olho para cada canto, para cada sombra e ainda te vejo, acreditando no destino, acreditando que um dia nos poderá voltar a cruzar.

Enclausurei-me numa bolha, tento trabalhar-me, respeito-me, dedico-me. Encontrei-me no meu silêncio dos meus dias, fui fechando cicatrizes do passado, conheci-me.

Agora que tenho mais discernimento posso te dizer:

Amei-te muito e tentei esconder isso, tentei mentir-me e iludir-me mas nunca consegui fugir ao que sentia por ti.

Agora respiro fundo, aceito os meus erros, sinto-me capaz, objetivado e estruturado, mas está na hora de encontrar o meu coração em outrora perdido.

Agradeço-te por me tentares alertar dos meus erros, não foram em vão. Foi nessa pequena ponta solta que peguei e estou a trabalhar, nota-se no meu corpo o desgaste do meu cérebro, é apenas um corpo magro mas rochunchudo de amor no seu interior.

Foi preciso te perder para me converter num homem, fui demasiado tarde para ti mas ainda cheguei a tempo para me reconquistar.

Orgulha-te, são as tuas palavras que me transformaram e eu não vou parar enquanto não for feliz.

Passo dias a ver o mar, mergulho na nossa história, nos sentimentos perdidos, desperto o meu ser adormecido.

O meu coração irá ficar sempre permanentemente ligado ao teu, tivemos uma história, uma vivência, fomos cumplices.
Se pudesse ter lido o futuro aumentaria só a intensidade do abraço e do beijo.

Quanto ao resto, o resto foi destino.

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Foto de: Sara S.