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Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

Diário do "bipolar"

"Diário do amor, em parcelas escritas de lágrimas, silêncios e ânsias. O tempo igual ao de todos, pincelado de saudade e esperança. A luz que surge no caminho. Viver. Cair e levantar. Em cada dia."

O outro lado

Hoje escrevo sobre ti.

Tu que me baralhas todos os sentidos e me consegues colocar sem norte.

Escondo-te por de trás de um sorriso, uma piada, um fingir de bem estar por vergonha.

Vergonha por não te querer assumir na minha vida e que apareceste numa passagem bem ingrata.

Sufocas-me.

Retiras as poucas forças que há em mim e atiras-me para um sofá sem me querer mexer ou falar.

É tudo tão lento.

Não gosto de ti mas és as única voz que consigo ouvir.

Destróis-me a cada dia que vai passando levando-me a auto-estima e a reduzindo os meus os sonhos em nada.

Sinto-me culpado. Por ti, por mim.

É contra esse sentimento que luto mal desperto no amanhecer e me corroi até me deitar.

É um ciclo vicioso ao qual não consigo escapar.

Não desistes de salientar o meu lado mais fraco. Despertas o meu ladro negro onde enterrei todos os meus erros e fracassos.

Pouco falo mas quem me ouve percebe a dor de te ter comigo.

Afasto para que não percebam quem és. Tens um nome mas não te consigo descrever.

Tu. “Tu” que não passas de um “eu” em modo fraco.

Incutiste-me o medo, deste-me a ansiedade e o pânico. Como se não fosse suficiente retiraste-me a esperança.

Ajudaram-me.

Olhando-me nos olhos disseram exatamente o nome que não queria ouvir. Sempre o soube desde o inicio mas não o aceitei.

<<Depressão.>>

Foram os danos colaterais de batalhas onde fui derrotado optando por reprimir.

O mundo caiu-me em cima como se não bastasse ter perdido o chão.

Sempre pensei que era uma desculpa para pessoas fracas. Vivia numa inocência criada por mim.

Não sei em que parte da minha vida me agarrou ou se fora eu que a deixara agarrar-se.

Hoje escrevo sobre ti sem vergonha.

Fazes parte dos meus fracassos e sem os meus fracassos nunca iria conseguir saber saborear a conquista.

Escrevo-te porque me fazes mais resistente, ponderado e realista.

Tento sonhar contigo a meu lado mesmo que estejas em desacordo.

Porque mesmo com ajuda não te conseguiram retirar de mim. Simplesmente adormeceram-te com os químicos que percorrem as minhas veias.

Posso não festejar a minha reconquista mas também nunca te deixarei festejar a tua vitória.

Dorme.

 

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Foto de: Kat Jayne 

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